Oct 27 2007
Microsoft quer o XP no OLPC(One Laptop per Child)
Era questão de tempo, o perigo de um programa de distribuição massiva de laptops com Linux para crianças era algo que não podia ser esquecido pelo pessoal de Redmond.
Supondo um mundo paralelo em que as situações são análogas e as empresas têm nomes parecidos mas não iguais que os do nosso mundo, o “dialogo” (eufemismo das grandes empresas para os monólogos dos presidentes ou CEO’s) para tomar a decisão de introduzir o sistema poderia ter sido algo assim…
BREVE HISTÓRIA DE UMA DECISÃO
Big Chefão, grande espírito condutor das energias da megacorporação MIJOSOFT, iniciou a reunião de pé num tom de reflexão.
-Ummm, vejamos, crianças no mundo todo usando Linux… O que vocês pensam disso?
PS1 (Pusha Saco número 1, não confundir com a consola do nosso mundo) tomou a palavra.
-Relaxe chefe, são só crianças. Nós temos o mercado!
PS2 continuo na mesma linha.
-É mesmo chefe, além do mais o brinquedo vai durar um dia no máximo até que as crianças o quebrem.
Big Chefão pareceu algo contrariado mas prosseguiu…
-As crianças de hoje são os adultos de amanhã, seus tolos. Devemos formar as suas mentes no software proprietário e não nessa libertinagem do “software livre”.
Big chefão se afastou para uma das enormes janelas da imensa sala de reuniões, num dos seus célebres movimentos zen de reflexão (o pensamento deve sempre preceder a ação, Sen sei Big Chefão assinou…) famosos nos livros de administração.
O crânio ou simplesmente Big, como também era conhecido na megacorporação MIJOSOFT começou a mostrar um olhar inquieto enquanto observava desde a janela como os empregados brincavam alegremente no pátio de recreação. Tratava-se da última dinâmica projetada pelo maligno departamento de RH para o adestramento, quer dizer, treinamento, de “melhorias” no trabalho em equipe. -Excelente, excelente, pensou.
Com a rapidez de uma águia maluquinha que procura o seu alvo no mato fechado, Big Chefão desviou o seu olhar inquieto para o horizonte. As nuvens preocupavam ao grande CEO, deveria ter um céu claro, e isto o faria decantar-se por não fazer nada, mas aquelas nuvens no horizonte o preocupavam, tinha que fazer alguma coisa. Claro que este método de tomada de decisão, pensou, era um tanto esquisito, por outro lado, também era muito mais rápido que ler as 500 páginas dos relatórios que tinha acima da mesa. Finalmente voltou-se para os seus PS’s e com voz firme falou:
-Vamos a colocar o CEGO no projeto das crianças!
O CEGO, o novo e revolucionário sistema da MIJOSOFT. Calafrios passaram pela dúzia de PS’s lá reunidos. Como dizer para ele que isso era impossível. Algo como tentar colocar o problemático motor de um tanque mal projetado em um carro popular. Finalmente PS1, o funcionário colaborador melhor adestrado, quer dizer, treinado, nas artes comunicativas com as altas hierarquias estratosféricas sorriu de uma forma um tanto benévola (anotação de Big na mesma hora, “o tamanho do sorriso nas aseverações devera ser revisado pelo departamento de RH”, correção… “o sorriso devera ser extinto das reuniões e trocado por gestos assertivos que demonstrem o pensamento positivo e o trabalho em equipe”) e, pausadamente, disse:
-Big, aquela coisa não merece tanta generosidade da vossa inteligência. O nosso velho e bom XaPito da conta do recado.
Ao ouvir tamanha ousadia, o XaPito estava já obsoleto e devia ficar fora de linha (no entanto resistia-se a morrer diante das desventuras do novo sistema CEGO), Big franziu a testa, porém após alguns instantes que deveram parecer eternos para PS1, a face de Big Chefão iluminou-se de novo.
Verdadeiramente, para que matar moscas a canhonazos, colocaremos o XaPito -sentenceu Big Chefão com um grande sorriso na sua face de sargento de ferro.
-Grande ideia, Big, “alavancou” PS2
Enquanto isso, o resto dos PS’s discutiam em voz baixa se o projeto de computador para crianças teria as três teclas vitais necessárias para que o sistema pudesse funcionar.
-O “Ctrl” não sei bem….
-Será que tem o “Alt”?
-Gente, o “Del” seguro que tem!
As frases e as duvidas se cruzavam no tumulto galináceo dos PS’s lá reunidos.
E foi assim que foi decidido que as crianças de tudo o mundo não ficariam exentas de saber o que era uma tela azul, um travamento do sistema, e que não só as pessoas ficavam doentes pelos virus mas também os computadores, mas sobre tudo, sobre tudo, elas não iriam nunca a ser mais inocentes, pois Big sempre estaria vigiando elas.
Miguel Cabezas
OBS: Qualquer parecido com a realidade dos nomes, locais e personagens aqui relatados é fruto do acaso e da aletoriedade do meu teclado.
Isto é Netmind
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