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    Nunca diga às pessoas como fazer as coisas. Diga-lhes o que deve ser feito e elas surpreenderão você com sua engenhosidade. — George Patton

Crise Econômica Mundial, Luz ao Final do Túnel… Será Mesmo?

NetmindDuas semanas depois do meu último post, reúno forças e tempo para escrever de novo, e, precisamente, sobre o mesmo tema, a crise econômica mundial.

O pacote de medidas da administração Bush, assumindo as dívidas das mega-empresas falidas, junto a ação conjunta dos principais bancos centrais do mundo, injetando centenas de milhares de milhões de dólares nos mercados para recuperar a liquidez do sistema de créditos internacional, deram resultado positivo e o colapso das bolsas foi evitado no mundo todo.

Não entanto, o custo deste movimento de socialização das dívidas das empresas falidas vai ser enorme. O problema da liquidez foi resolvido (mesmo que o impacto no crescimento da inflação vai ser importante), porém, a questão principal que é restabelecer a confiança dos mercados é um objetivo muito mais duvidoso que seja atingido, aliás, neste quesito fundamental, a crise só deu um fôlego pra o mercado respirar.

Quando a poeira baixe e as mentes fiquem mais calmas, perguntas importantes começaram a ser formuladas, e as explicações difíceis de ser aceitas.

Vai ficar difícil explicar aos pequenos investidores como os tubarões financeiros que originaram esta crise vão sair sem problemas pelos bastidores, e, ainda com indenizações milionárias.

Vai ficar difícil explicar aos contribuintes porque uma empresa que joga na bolsa-cassino tem que ser ajudada, e uma pessoa com problemas financeiros e a casa comprometida numa hipoteca, não pode ter ajuda.

Vai ficar difícil explicar como as autoridades das bolsas americanas autorizaram instrumentos financeiros mais próprios de uma casa de apostas londrina que de uma bolsa séria. Fazer com que a economia gire entorno de apostas de claro teor especulativo (e não de riscos efetivamente calculados) não parece algo muito sensato. Tudo mundo sabe que a banca (do cassino) quebra de quando em quando. A economia não pode depender duma casa de apostas.

Vai ficar difícil explicar a omissão dos mecanismos reguladores do mercado com o Banco Central Americano à cabeça, na detecção dos problemas que já vinham acontecendo, assim como a atuação das agências qualificadoras de risco, agora expostas com todas as suas vergonhas ao descoberto (diferentes varas de medir, etnocentrismo, incompetência…).

Vai ficar difícil explicar o envolvimento da crise do petróleo em todo este assunto, e de como uma economia como a americana, se sustenta nas custas dos outros.

Vai ficar difícil explicar a corrupção crescente no mundo desenvolvido, a perda de valores e a ética do “salve-se quem puder”.

No post anterior mostrava que esta crise é uma oportunidade para uma mudança de paradigma. Uma oportunidade para mudanças que abrangem a energia, a tecnologia, a política e a educação, entre outros. Mudanças estas que já estão, de fato, acontecendo, porém de uma forma muito lenta, e que essa lentidão era o cerne da crise.

Pois é, vai ficar difícil dar explicações nesta crise e recuperar a confiança dos mercados sem fazer mudanças profundas nas instituições financeiras obsoletas, na bolsa cassino, nos mecanismos regulatórios meramente burocráticos, na visão simplista das empresas como agentes de lucro acima de tudo, no petróleo como base energética, na ética do mais forte é o que sobrevive, na assimetria reinante na educação, e por ai vai…

Claro que seria ingênuo pensar que as coisas vão se solucionar por una ação proativa humana, antecipando-se ao desastre global. Seria a primeira vez na história humana que isto aconteceria. Normalmente, isto é, historicamente, a pancada vem primeiro e as providencias se tomam depois, contabilizando a profundidade da mudança pelo número de vítimas. Foi precisa a segunda guerra mundial e o holocausto judeu, para os países europeus esquecerem as suas diferencias, acabar com as guerras no continente, e constituir a união européia.

Sendo assim, a pancada pode ser desta vez, gigantesca, com conseqüências globais sistêmicas em todos os ordenes da vida, ou será que desta vez seremos capazes de agir antecipadamente?

Isto é Netmind

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