Blog do Netmind

  • Search

  • Seções

  • Nuvem de Tags

  • Gallery

    santillana-parque1.jpg torrelavega-blue.jpg santillana-colegiata.jpg santillana-colegiata-portico.jpg

  •  

    November 2008
    M T W T F S S
    « Oct    
     12
    3456789
    10111213141516
    17181920212223
    24252627282930
  • Arquivos


  • Enter your email address:

    Delivered by FeedBurner


  • Add to Technorati Favorites
  • Frases

    Devo confessar que nasci a uma idade muito precoce. — Groucho Marx

Crise Econômica Mundial - Muito Além da Crise do Petróleo e das Commodities

Netmind

A crise hipotecária, também chamada de crise das subprimes (títulos de crédito negociáveis, podres) resultado da especulação financeira imobiliária nas bolsas, juntamente com a crise do petróleo (que chegou a atingir uma cotação de 150 dólares o barril) e o aumento do preço das commodities (entre elas alimentos básicos como o arroz, a soja e o milho), são as componentes principais da atual crise económica mundial

Sabe-se que todas as componentes da crise estão intimamente interligadas, que houve intensa especulação financeira, e que entre as principais causas do aumento dos preços estão as crescentes demandas dos gigantes emergentes, principalmente a China e a India.

Muita gente já falou deste tema, expondo de forma brilhante as causas das diferentes componentes desta crise que esta pondo em xeque a economia mundial, mas o que pouca gente esta falando, é que esta crise pode ser entendida como um ponto de inflexão nas bases que movimentam a economia, isto é, trata-se na verdade, de uma transição de paradigmas.

Constantemente ouve-se falar da sociedade do conhecimento, não se trata de uma fantasia de ficção cientifica, mas de um fato baseado numa realidade tecnológica avançada, a nossa realidade. A questão é que existe um desfase mental enorme entre a maioria da população e esta realidade tecnológica de ponta.

Na economia do século XX, nos casamos, temos filhos, compramos casas, assistimos TV, compramos toda classe de produtos desnecessários e nos deslocamos em poluentes carros, ónibus, navios e aviões movimentados na base dos derivados do petróleo. Isto movimenta a economia e os intercâmbios comerciais. Ainda muita gente, vive neste paradigma e é este paradigma que esta em crise, simplesmente porque é insustentável para toda a população mundial.

Na economia do século XXI, não nos casamos, formam-se casais estáveis mas temporários, há poucos ou nenhum filho, o conceito de família muda, a televisão (meio passivo) é substituida pela Internet (meio interativo) e as casas são mais funcionais, o real é subsituido em grande parte pelo virtual. Nos deslocamos em carros mais pequenos e menos poluentes e há uma ênfase em meios de transporte colectivos rápidos, seguros e eficientes. O trabalho é de natureza cientifica e criativa e é realizado em grande parte nas próprias casas das pessoas, reduzindo enormemente as necessidades de transporte.

Nesse sentido, não se pode ter uma economia como a atual com uma massa analfabeta do ponto de vista tecnológico, com uma educação precária (meramente instrumental e profilática), alienada (na prática) de todos os seus direitos políticos de condução real da sua vida, ao tempo que incríveis meios tecnológicos são capazes de desenvolver uma fábrica que funcione praticamente sozinha.

Nesta situação, os trabalhadores vem reduzida a sua capacidade aquisitiva, face ao controle da inflação. Isto porque do ponto de vista da lucratividade, a prioridade para os donos do capital é sempre maior em controlar os salários que em investir para aumentar a produtividade e atender as demandas crescentes.

Esta situação se agrava quando os investimentos envolvem mudar o padrão tecnológico da produção, matriz energética incluida, como acontece no momento, pois, os riscos aumentam consideravelmente.

O resultado é que a transição mesmo que inevitável é muito mais lenta de como deveria ser. Nesta lentidão é que repousa o cerne da crise atual. Se um grande movimento global coordinado de transição na matriz energética fosse realizado, milhões de novos empregos estariam sendo criados, a educação teria atenção redobrada e e a economia começaria a girar totalmente sobre o novo paradoxo do conhecimento.

Do exposto, pode inferir-se que uma das prioridades dos governos e instituições internacionais deveria ser ajudar e pressionar ao setor privado para fazer esta transição tecnológica, ao tempo que investe maçizamente numa educação de qualidade, porém os proprios interesses privados, as redes de poder, junto à incompetencia dos politicos interferem nos governos para que isto não aconteça.

Para reverter a crise é necessário, portanto, uma nova visão politica que conte com uma participação cidadã crescente no poder (ver post Reinventar a  Democracia), objetivando o controle e fiscalização dos recursos públicos, assim como organizar de forma eficiente e eficaz a colaboração solidária utilizando a tecnologia de comunicação (redes sociais).

Devemos acelerar a transição para a economia do conhecimento com politicas educacionais e de infraestrutura sérias. O aprendizado e o respeito da vida humana deve ser sempre o nosso centro. Esta crise é uma oportunidade única para nos por a prova.

Isto é Netmind

LINKE, PUBLIQUE ESTE ARTIGO POREM RESPEITE A LICENÇA E AUTORIA CITANDO O AUTOR.

Creative Commons License

Esta obra está licenciada sob uma
Licença Creative Commons

Leave a Reply