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    Todo homem leva dentro de si um ditador e um anarquista. — Paul Valery

O Lado Tercermundista da Saúde nos EUA

NetmindQue a saúde publica no Brasil, assim como em outros países em desenvolvimento, é muito precária, falta de recursos de todo tipo, isso tudo mundo sabe. O que não é tão conhecido assim, é que na primeira potencia do mundo, os EUA, a saúde publica é também uma porcaria. No vídeo a seguir, uma paciente espera atendimento e termina morrendo ante a passividade de todos os presentes (é sabida a aversão ao contacto físico dos americanos).

Os fatos aconteceram no hospital Kings County de New York. Não estranha que uma das principais bandeiras eleitorais da derrotada Hillary Clinton era a construção de uma saúde publica que realmente atendesse as necessidades dos americanos, haja vista de que os serviços privados de saúde, cada vez mais caros e “engessados” pelos processos judiciais, só podem ser pagos por uma minoria.

O candidato democrata à presidência, Obama, é consciente disso também e, se ganhar as próximas eleições, deve impulsionar uma reestruturação profunda no sistema de saúde publico americano.

De qualquer forma, fica clara a importância do controle e regulação dos serviços públicos universais, principalmente a saúde e educação, de uma forma diferente. É evidente que o desenvolvimento dos setores privados nesses campos tendem a fagocitar (devorar) os seus concorrentes públicos na forma de lobbies políticos que sucateam os serviços essenciais.

Não é possível uma coexistência do setor privado e publico em nenhuma área, já que o setor privado sempre vai enxergar os serviços públicos de qualidade como uma ameaça para o seu crescimento.

De outro lado a gestão privada é comprovadamente mais eficiente que a publica na gestão dos recursos. O dilema esta servido, e, na minha visão, existem dois caminhos, para resolver a situação:

a) Priorizar a saúde e educação públicas, restringindo os serviços privados para serviços de excelência complementares (e em alguns casos subsidiados).

b) Eliminar completamente os serviços públicos e obrigar a assumir a cobertura universal destes serviços ao setor privado, via subsídios e eliminação de impostos, ficando com o governo o papel fiscalizador dos serviços.

A opção “a” é a adotada pela maioria dos países europeus, porém, a opção “b”, pode ser a mais indicada para países como os EUA (e também para o Brasil). Para tanto, uma nova regulação que definisse com mais clareza as responsabilidades dos médicos nos tratamentos, junto a uma melhoria nos processos de tomada de decisão nos hospitais com um apoio maior da tecnologia na transparência da gestão, minimizariam a maquinaria de processos judiciais atuais que só beneficiam a “industria legal”, ou seja o bolso dos advogados, nos EUA.

O Brasil conta já com boas experiências nesse sentido como o programa PROUNI para acesso à universidade, e na saúde com os Programas de Parceria Público-Privados (PPP).

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