Homem-Aranha 3
Tudo que eu queria de Homem-Aranha 3, era que ele fosse bom, terminasse uma saga com dignidade e honra, e ao entrar no cinema, tentei não me encher de expectativas, para que isso não interferisse na minha visão do filme, então sentei na poltrona, e esperei que os créditos começassem, e…
….Lá estava ele mais uma vez, usando seu traje tradicional, se pendurando pelas ruas de Nova York, algo normal até então, mas nos quinze minutos que se seguiram, vi toda uma esperança desaparecer nas minhas mãos e a frustração começar, algo normal para mim quando eu vou a o cinema, porém quando eu já estava decidido a sair do cinema, eis que algo me chama a atenção, e rapidamente volto a prestar toda atenção no longa, a face caricata do herói bastante conhecido começou a ficar mais humana, até mesmo em relação ao segundo filme. Vimos Peter Parker se transformar em algo novo, algo corrompido pela própria fama, no seu famoso traje, agora somente importando-se com sigo mesmo e esquecendo dos outros que tanto lutou para proteger nas produções anteriores, e nesse momento me dei conta que estava vendo um filme tão profundo e disfarçado que poucos iriam apreciar ou até mesmo entender.
Se eu estava receoso em relação ao roteiro que seria bombardeado por personagens, vi que tudo era um receio bobo, já que Alvin Sargent conseguiu amarrar toda a trama e personagens em uma teia complexa, mas perfeita que se manteria até mesmo com os mais fortes ventos ou falhas. Assisti uma complexidade, poucas vezes alcançadas em qualquer adaptação de outra mídia, assisti o amadurecimento dos personagens e dos atores, que mergulharam cada vez mais na fonte de seus personagens, assisti o que todo filme deveria ser: Complexo, mas entretido ao mesmo tempo.
Os atores estavam cada vez mais interessados e inspirados em seus personagens, atores que antes não tinham me convencido em seus papéis, atores agora experientes e cientes do qual importante cada um era para a trama, mesmo James Franco relativamente fraco nos outros filmes mostrou a intensidade de Harry Osborn, como já era mostrado nos quadrinhos, confuso e a beira da loucura, J.K. Simons mais uma vez roubou a cena com seu perfeito, mas pequeno, J.Jonah Jameson, e o então terrível Tobey Maguire, se tornando de fato o Herói que todos queriam ser, porém a melhor surpresa das atuações foi a de Thomas Haden Church, que deu características mais humanas ao Homen-de-Areia, em um nível nunca atingido nos quadrinhos. Mas é claro que houve personagens que não foram utilizados da maneira correta, com Gwen e George Stacy, mas melhor assim, se não o filme ia ficar longo de mais, e com o serio risco de ficar confuso.
O diretor Sam Raimi, provou de uma vez por todas que ele está no ramo para dirigir da melhor maneira possível, ao mostrar que aprendeu tanto com suas falhas anteriores e com seus acertos. E graças a ele, que o filme manteve um clímax constante a assustador em vários momentos.
O filme falha somente nas piadas, que aparecem demais ao decorrer do filme, mas assim como a vida nada é perfeito, e todas essas pequenas falhas é o que deixam o longa com um sabor a mais.
Porém a melhor parte do filme são as constantes metáforas e lições inseridas ao longo dele, como que todos possuem um lado mais obscuro que nos corroe por dentro, que vem a explodir e mostrar o lado sombrio que tentamos esconder a todo custo, e que apesar de nossas falhas vindas desse lado, ainda podemos nos redimir em um último momento ou podemos morrer cercados pela mais terrível personalidade. E toda essa metáfora é vista a decorrer da evolução dos personagens, à medida que cada um faz suas escolhas, certas e erradas, e como eles agem depois de perceber o que fizeram, e também vem através da simbionte que corroe cada um até o ponto que a nossa verdadeira pessoa desaparece.
E ao sair do cinema consegui ver o termino d uma saga de uma maneira diferente da minha usual, a vi como um meio de um novo começo gerado do fim. E o mais importante para mim, o renascer da esperança cinematográfica, perdida com tantos filmes que visam somente o lucro e esquecendo do alvo em si, e mais uma vez ao longo dos anos, voltei a sentir calafrios ao ver uma cena distinta ou varias, o suor na mão de preocupação, e a felicidade de ter achado um filme que me resgatasse de uma geração MTV.
E mesmo que os críticos digam que este filme, não esteja na altura dos outros, e pouco me importo, já que tantos outros clássicos, só viraram tal com o decorrer do tempo, em que novos críticos perceberam a profundidade do tal, e ainda cito como exemplo o meu filme favorito: “Um Corpo que Cai”, que foi visto como um filme muito complicado e demais chato, assim como este, que nos deixa varias mensagens e uma esperança renovada.
