e… isto pode ser uma boa oportunidade para o GNU/Linux, vejamos porquê…
É verdade que a divisão de entretenimentos da Microsoft esta em um bom momento com o lançamento de Halo 3, um jogo espetacular, temos que reconhecer este fato.
O faturamento inicial da estreia de Halo 3 superou lançamentos de superproduções cinematográficas recentes de sucesso como Spiderman 3 e isto deve ser motivo de reflexão (no bom sentido).

Halo 3 (Imagem Wikipedia)
A indústria do cinema tradicional convive agora com outro produto de entertainment, os supervideogames com orçamentos multimilionários. Os videogames já não se criam, se produzem.
Trata-se de uma forma de entretenimento que pode até modificar futuramente a forma como entendemos o cinema. Pensemos, por exemplo, num tipo de cinema interativo em que cada um possa ser protagonista da história.
Voltando ao Linux. O quesito jogos segue sendo um dos seus pontos fracos, mesmo com os avanços realizados com wine e derivados, ou com algumas empresas comercializando versões nativas dos seus jogos para o pinguim. Também é certo que houve avanços recentes nos drivers para GNU/Linux das placas aceleradoras (componentes-chave para os jogos), como é o caso da ATI, mas tudo isso ainda é insuficiente, por quê?
A resposta é porque ainda há uma grande diferença entre o conceito do software livre que se aplica ao mundo da informática (que foi onde nasceu), e quando esse mesmo conceito se aplica a outras áreas da atividade humana como, por exemplo, fazer cinema.
É necessário fazer ver aos produtores de obras intelectuais de todos os âmbitos (cinematográfico, musical, literário, etc…) que é possível ganhar dinheiro no mundo GNU/Linux. Na verdade é possível ganhar até mais dinheiro.
O conceito do software-livre convive agora com outros mais recentes como os modelos de licença da Creative Commons, que eu utilizo bastante, e que permitem modelos de negócios interessantes. Há obras literárias com o selo CC, por exemplo, que permitem uma divulgação da propriedade intelectual compatível com modelos de negócio, porem este movimento ainda é tímido, embora seja crescente.
Em qualquer caso, tenho a suspeita de que o movimento do software livre morrerá se não há uma ênfase dos seus líderes em expandir este conceito a outras áreas de atuação. Isto deveria tornar-se uma prioridade estratégica.
Para tanto é preciso ter uma visão diferente de como podem funcionar os mercados. Vou exemplificar o que quero dizer para que fique claro e sem rodeios.
O conceito central do novo paradigma é o “share” (a quota de assistência) que canaliza os recursos de publicidade. Isto fica claro no valor bursátil (valor em bolsa) das empresas denominadas virtuais como, por exemplo, youtube.
Por exemplo, imagine assistir confortavelmente na sua telona sentado na sua poltrona favorita a estreia da última superprodução de um videogame. Claro que isto já é possível hoje pagando que nem tv a cabo, mas vamos mudar um pouco o hardware e a situação, imagine esta telona conectada à rede sem fio da sua casa centralizada num computador conectado a Internet e rodando GNU/Linux (um sistema livre, sem custo), e você assiste de graça a estreia.
Ummm… Como pode ser possível isto?. Bem, durante o jogo (ou deveria dizer experiência?) você sobe num carro da marca X (publicidade) vai vestir uma roupa Y, e, quem sabe visitar um hotel Z, etc… Algo parecido se faz nas novelas da TV, só que aqui a experiência é reforçada pela interatividade.
Pois bem, X,Y,Z… não tem que ser alternativas únicas de produtos dessas marcas, podem ser, ainda, várias alternativas (vários modelos de carro, por exemplo). Em determinado momento qual você escolheria para fugir do vilão do game?
No exemplo exposto, as marcas X,Y,Z, não só transmitem sua mensagem aos seus potenciais clientes, quanto que obtém valiosas informações dos gostos dos seus clientes. Tudo isso sem incomodar ninguém com mensagens publicitários.
Hardware barato rodando GNU/Linux pode ser fabricado em grande escala a baixo custo permitindo viabilizar redes sem fio domesticas que interconetem todos os aparelhos do lar. As oportunidades de negócio cresceriam exponencialmente.
Hoje em dia, o modelo de consola domestica, se parece muito ao de impressoras a jato de tinta ou celulares. Pague pouco pelo hardware que depois a gente mete a faca com o preço da tinta, das chamadas, ou dos jogos (com até 1/3 do preço da consola as vezes).
Este modelo “criativo” da indústria permite um parcelamento disfarçado da aquisição mas estimula mecanismos de pirateria na aquisição dos “consumíveis”.
Com tudo, as produtoras de conteúdo (de cinema por exemplo) podem acordar para o que esta sucedendo e ver como um modelo que EXPANDA E DEMOCRATIZE AO MÁXIMO OS COMPUTADORES (possibilidade na qual o GNU/Linux tem maiores chances de sucesso que windows) de forma livre só traz benefícios pra elas.
Para quem produz conteúdo, o importante são os canais de distribuição, e estes canais estão mudando para a rede, portanto esta situação só beneficia aos produtores de conteúdo “se sabem jogar o jogo certo”. Teremos então centos, milhares, de Halo 3 e ainda melhores, de graça.
Se o financiamento dos projetos, muda-se também para “oportunidade de share”, então temos a chave que falta nesse modelo de negócio para se firmar como o novo paradigma de negócios do século XXI.
Nesse esquema, tenho a certeza que é possível fazer uma produção como Halo 3 para GNU/Linux a uma fração do seu custo atual, e ainda melhor.
Miguel Cabezas (Netmind)
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